Logística
A desintermediação na logística, como o próprio nome indica, nada mais é do que um processo no qual há um corte de intermediários, materializado pela aproximação entre indústria/empresa e o consumidor final. Isso já pode ser visto em diversos setores da economia. A Apple, por exemplo, com seu e-commerce e lojas próprias, dispensa a atuação de um intermediário em suas operações.

Ao eliminar alguns elos, a desintermediação na logística pressupõe mudanças radicais tanto no fluxo operacional interno quanto no fluxo externo de um negócio. Contudo, com os desafios também surgem oportunidades de maximizar a margem de lucro, minimizar gastos e desperdícios, ganhar competitividade e gerar mais valor para o cliente final.

Um exemplo é o mercado livreiro. De uns anos para cá, os consumidores observaram o declínio das livrarias como modelo de negócio. Enquanto muitas unidades fecharam as portas, as vendas de livros no país não sofreram queda, pelo contrário: as editoras tomaram uma postura proativa, conectando-se com seus leitores por meio de vendas em canais online e eventos especializados.

Sobre a desintermediação na logística

Percebendo que poderiam ficar com a margem comercial de venda e rentabilizar toda sua operação ao dispensar seus intermediários, a indústria começou a fazer um movimento independente em direção ao varejo. Essa iniciativa exigiu ajustes nas atividades logísticas.

A desintermediação na logística pode ser verificada de diversas maneiras. Um exemplo corriqueiro é em relação às operações de movimentação e transporte, nas quais muitas indústrias optaram por ter sua frota própria e cortaram as transportadoras terceirizadas, podendo, assim, assumir maior controle da gestão de frotas, rotas, custos e prazos. Com essa manobra, a Bombril conseguiu economizar R$ 15 milhões em um ano.

Da mesma forma, enquanto poucas companhias terceirizam sua logística interna, o que é observado como boa prática é a centralização total dos estoques que abastecem as lojas e o uso de tecnologia qualificada para controlar e otimizar processos internos e externos.

Soluções como o TMS (Sistema de Gerenciamento de Transporte), WMS (Sistema de Gerenciamento de Armazém) e ERP (Planejamento dos Recursos da Empresa) oferecem funcionalidades capazes de cuidar de toda gestão das empresas.

Os desafios da desintermediação na logística

Eliminar as relações que suportam a cadeia de suprimentos certamente gera desafios para a indústria, que precisa aprimorar sua organização e planejamento e investir em tecnologia, qualificação e capacitação profissional.

No caso da operação de transporte, a desintermediação envolve a aquisição de veículos, bem como a contratação e o treinamento de condutores, o que não é uma tarefa fácil em um mercado caracterizado pela informalidade, visto que muitos motoristas atuam de forma autônoma.

Paralelamente, também é preciso trabalhar para conservação da frota, que é um ativo da empresa. Por isso, é importante adotar práticas e soluções para evitar desperdícios, custos excessivos e depreciação precoce dos veículos.

Como o comércio eletrônico impulsionou essa mudança

Se existe um elemento que potencializou o movimento da desintermediação do setor foi o surgimento e amadurecimento do e-commerce e dos canais de vendas online. Com essas ferramentas, as marcas são capazes de criar seus próprios meios de comunicação para vender diretamente aos clientes.

Full commerce

Um modelo adotado por muitas empresas, que se popularizou desde o início da década de 2010, é o full commerce, no qual a empresa contrata um parceiro e terceiriza completamente seu processo de venda virtual, incluindo o planejamento, criação, meios de pagamento, segurança e antifraude, análise de dados, dentre outros.

Essa abordagem possibilita que sejam adotadas boas práticas e soluções para a gestão do e-commerce, colaborando para o aumento das vendas. Todavia, o desafio reside em balancear os reflexos nos custos operacionais e garantir o alinhamento de objetivos com os fornecedores desse serviço.

Marketplaces

Marketplaces, com ou sem fulfillment, criaram novas possibilidades para indústrias venderem diretamente para seus consumidores sem precisar ter uma loja virtual. Isso abriu espaço para mudanças nos fluxos logísticos: como a coleta de produtos passou a ser descentralizada, a demanda por pequenas transportadoras aumentou.

Além disso, o uso de softwares para integrar processos e acompanhar o cumprimento dos pedidos (ERP, WMS, TMS, etc.) se tornou imprescindível.

Blockchain e a desintermediação na logística

A blockchain é uma tecnologia que viabiliza a validação de dados de forma descentralizada, sem que esse processo tenha que passar por sistemas reguladores. Dessa maneira, existe um aumento da segurança — os dados são criptografados — e da transparência no compartilhamento de informações.

Esse avanço está relacionado com a desintermediação na logística, uma vez que elimina a dependência de órgãos e tabeliães, permitindo que empresas agilizem seus processos de despacho de cargas, emissão de documentos e demais fluxos logísticos. Com a blockchain, integrar setores, manipular dados e otimizar todas as atividades da cadeia de suprimentos são ações possíveis.

Apesar das dificuldades, todo tipo de transformação também traz grandes oportunidades. A desintermediação na logística é positiva de diversas formas. Por meio da diluição de custos, ela permite que empresas sejam mais competitivas e garantam maior margem de lucro.

Ao mesmo tempo, um aspecto importante é o acesso direto ao cliente, o que beneficia o relacionamento entre consumidor e marca. Por isso, é fundamental que gestores entendam quais são as necessidades e dores do seu público-alvo, a fim de fortalecer sua posição no mercado e entregar a melhor experiência de compra aos clientes.

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